Perigo: A ingestão pode causar morte! Essa advertência é encontrada em alguns produtos químicos e agrotóxicos. Esse alerta nas etiquetas indica que o conteúdo de determinado recipiente ou pacote não deve ser consumido.
As pessoas poderiam sofrer danos à saúde se essas advertências não existissem. Por esse motivo, esses compostos tóxicos devem ter uma etiqueta com informações claras para o consumidor. No entanto, por incrível que pareça, há um tipo de veneno que não está sujeito a esse regulamento, apesar de ser tão mortífero em seus efeitos como qualquer outro tóxico. Refiro-me ao veneno da pornografia, o qual tem levado a vida de muitos usuários à destruição.
O veneno da pornografia não só tem circulado sem rótulo há muito tempo, como também, em algumas ocasiões, tem recebido até mesmo a aprovação oficial. Em 1967, Lyndon B. Johnson, presidente dos Estados Unidos, encarregou uma comissão de realizar um estudo sobre os efeitos da pornografia. Em seu relatório, apresentado em 1970, a comissão disse que não havia evidências conclusivas para afirmar que a pornografia fomentava um comportamento antissocial. Ela ainda ousou dizer que a pornografia tem um efeito purificador, uma vez que libera a tensão sexual de “maneira natural”. A comissão concluiu que o uso da pornografia faria diminuir a violência e os delitos de ordem sexual. Embora esse estudo tenha sido posteriormente rejeitado pelo presidente Richard Nixon e pelo congresso da época, a quem foi apresentado, muitas pessoas sempre acreditaram nas conclusões expressas pela comissão.
Atualmente, há evidências sólidas para refutar a absurda afirmação de que a pornografia é inofensiva. As estatísticas sobre a delinquência mostram que os crimes violentos e de cunho sexual vêm crescendo constantemente. A imoralidade desenfreada é encontrada em todo lugar e, com frequência, termina na ruptura de inúmeras famílias. Também foram realizados estudos científicos que sinalizaram a natureza destrutiva da pornografia.
A pornografia não é inofensiva e muito menos benéfica; pelo contrário, é um câncer repugnante que continuará corroendo nossa sociedade, a menos que seja erradicado. É uma podridão abominável germinada no coração depravado do ser humano e, por isso, está sob a condenação de Deus. Façamos uma aplicação das palavras de Paulo em Romanos 1:20– 32, considerando pelo menos três razões pelas quais os cristãos devem erradicar toda a pornografia da própria vida, bem como da comunidade onde vivem.
A pornografia é idolatria, pois coloca o sexo como objeto de adoração em lugar de Deus.
A idolatria é resultado da rebelião. É um ato deliberado de rejeição a Deus e ao que ele revelou de si mesmo; é colocar outro objeto em seu lugar. No fundo, é questão de quem está no comando — quem será a autoridade suprema da vida da pessoa? Aqueles que adoram a Deus sabem que ele é o único que tem toda autoridade e, por isso, lhe obedecem. Mas o homem, por causa de sua natureza, deseja ter o comando da própria vida e, dessa forma, cria um conflito. Algumas pessoas o resolvem criando seus próprios deuses, os quais são um reflexo de seus desejos pessoais. Ao fazer isso, as pessoas terminam com um deus que elas mesmas podem controlar, pois são criadoras dele.
No entanto, o ato de criar e adorar um ídolo é, na realidade, um substituto vazio que nunca poderá satisfazer as necessidades mais profundas do coração humano. Paulo escreve o seguinte sobre as pessoas que tomaram essa decisão: “Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos” (Romanos 1:22). Quando decide adorar algo criado em vez de adorar ao Criador, o idólatra está dedicando a vida a algo muito inferior.
A idolatria da pornografia se manifesta não apenas nas imagens gráficas difundidas, mas também nos conceitos que promove. As pessoas, especialmente as mulheres, aparecem como simples mercadorias para serem possuídas e usadas de maneira que outras pessoas possam alimentar suas paixões luxuriosas. A pornografia também milita contra todas as restrições que Deus e a sociedade estabeleceram em relação ao comportamento sexual. Os valores morais tornam-se coisas desnecessárias. A ideia é: “Se isso o faz feliz, faça”.
Os resultados desses conceitos falam por si mesmos: gravidezes indesejadas, doenças venéreas, Aids, temor, culpa, vergonha, dor por se sentir “usado” e relacionamentos destruídos. A vida do homem mundano, entregue aos prazeres e sem compromisso de nenhuma natureza, obviamente não é tão fascinante (nem tão livre) como afirma ser. Quão tolo é trocar a verdadeira alegria que Deus dá pelo prazer temporário da imoralidade, o qual sempre termina em frustração e angústia.
A pornografia leva continuamente a um modo de vida cada vez mais perverso, o qual, com o tempo, arrasta outras vítimas inocentes.
O pecado sempre atua como um redemoinho que afunda a pessoa, afastando-a cada vez mais de Deus. Esse desenvolvimento progressivo dos desejos pecaminosos está descrito em Romanos 1:20–32. O processo se inicia com uma rejeição a Deus, conforme visto nos versículos 20 e 21. Deus deu ao ser humano claras evidências de sua existência e de seu caráter, mas “tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos [pensamentos, raciocínio, imaginação] se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu” (v. 21). Depois de rejeitar a Deus, a humanidade fez deuses à sua própria imagem, como descrevem os versículos 22 e 23. Os homens têm feito deuses à “semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis” (v. 23). Consequentemente, os homens continuam sua luxúria pecaminosa até o ponto de cometer a aberração de desonrar seu próprio corpo e, sendo assim, Deus tem de reprová-los, como Paulo descreve nos versículos 24–27: “Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia” (v. 24) e “os abandonou às paixões infames” (v. 21 26). Dessa forma, tanto homens como mulheres chegaram ao ponto de cometerem torpeza e, por isso, receberam “em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro” (v. 27).
Como resultado de toda a sua perversidade, as pessoas começam a demonstrar um ódio relacionado tanto a Deus como a outras pessoas: “Estando cheios de toda a iniquidade, fornicação, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade; sendo murmuradores, difamadores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e às mães; néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia” (vv. 29–31). O último passo nesta sucessão de maldade aparece no final do versículo 32: por permanecerem vivendo desse modo, as pessoas não só se afundam cada vez mais no pecado, mas também arrastam outras consigo.
A pornografia se origina na natureza pecaminosa e nos desejos malignos do coração humano, de maneira que pertence à mesma depravação mencionada por Paulo no primeiro capítulo de Romanos.
O médico Victor Cline, da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, destacou quatro passos no desenvolvimento do modo como vivem delinquentes que se tornam estupradores ou abusadores sexuais, os quais absorvem grande quantidade de pornografia explícita. O desenvolvimento começa com um vício, ou seja, uma condição em que existe um desejo contínuo de se expor a um conteúdo sexualmente estimulante. Esse vício é tão forte quanto o vício em drogas. Quando há estimulação, o corpo segrega uma substância que ajuda a capturar na mente a imagem nítida que causou a estimulação. Assim, a mente forma uma “biblioteca” permanente dessas imagens, as quais são extremamente difíceis de apagar. Tais imagens são reforçadas de modo contínuo e crescente cada vez que são extraídas da biblioteca e ocorre uma nova estimulação.
O segundo passo é o vício ascendente. O usuário de pornografia começa a sentir a necessidade de se expor a um material mais grosseiro e mais explícito a fim de alcançar o mesmo nível de estimulação que obtinha anteriormente. Esse efeito é muito semelhante ao experimentado pelos viciados em drogas. Eles precisam avançar para drogas mais fortes e em doses maiores com o objetivo de alcançar o mesmo nível de estímulo satisfatório aos seus desejos. No caso dos viciados em pornografia, eles sentirão a necessidade de avançar para material mais abominável.
O terceiro passo é o da insensibilização. Para o viciado em pornografia, aquilo que inicialmente é para ele chocante e repulsivo, com o tempo, começa a se tornar comum e indiferente. É por essa razão que os pederastas1 e os que utilizam crianças inocentes para produzir pornografia infantil costumam expor as crianças a material pornográfico. Seu objetivo é obter a cooperação da criança mediante o convencimento de que não há nada de mal em tais atos e que estes são naturais e aceitáveis.
O quarto e o último passo é a tendência à imitação, que ocorre quando o indivíduo começa a agir de acordo com o que viu. Um estudo realizado com um grupo de homens conseguiu documentar muito bem essa tendência. Os homens foram expostos à história de um estupro relatada na revista Penthouse (cujo conteúdo supostamente não é explícito). Como mensagem subliminar, a história pretendia transmitir a ideia de que as mulheres gostam de ser abusadas sexualmente. Depois dessa exposição, foi perguntado aos participantes se estariam dispostos a estuprar uma mulher se não fosse pelo medo de terminar na cadeia. Incrivelmente, mais da metade dos homens disse que sim.
O pecado sempre tem efeitos que vão além do próprio ato. As vítimas inocentes serão submetidas a sofrimento pelo pecado de outra pessoa. No caso da pornografia, podemos incluir as vítimas de violações e de abusos sexuais, bem como os familiares delas. Embora o usuário também seja uma vítima, ele não é uma vítima “inocente”, uma vez que se expõe à pornografia por decisão própria. Toda essa destruição resultante do redemoinho do pecado deve deixar os cristãos em alerta. Em certos casos, devido ao fato de algumas cápsulas terem sido contaminadas com algum tóxico, cargas inteiras daquele medicamento foram retiradas do mercado. No entanto, o perigo que essas poucas cápsulas ofereciam é muito pequeno em comparação ao veneno da pornografia. Por que, en tão, não se ouve um grito de protesto mais forte contra esse mal?
A pornografia traz consequências muito graves para quem a consome.
Um dia, os viciados em pornografia terão de prestar contas ao Deus santo. O pecado sempre traz consigo consequências que a pessoa terá de sofrer, quer ela seja cristã, quer não. Algumas das consequências podem sobrevir à pessoa aqui na terra e nesta vida; outras, quando ela for para a eternidade. Em ambos os casos, as consequências não são agradáveis.
Entre elas está o fato de que o pecador está sob a ira de Deus. O pecado levanta uma barreira entre o indivíduo e Deus, e essa barreira não pode ser eliminada a menos que haja arrependimento. Enquanto a barreira permanecer, a pessoa não poderá experimentar as bênçãos de Deus. A única coisa que lhe resta é sofrer a ira divina. O texto de Romanos 1:18 nos diz: “Do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça”.
A ira de Deus é a justa indignação contra toda impiedade. É uma ira santa motivada por sua misericórdia. Devemos entender que Deus não castiga simplesmente pelo prazer de castigar — ele castiga para levar a pessoa a um arrependimento que possa culminar em restauração. O objetivo primordial é levar o ímpio ao relacionamento com Deus. No entanto, o processo de punição pode ser extremamente doloroso.
Uma maneira de a ira de Deus se manifestar é permitir que as pessoas sofram o pleno impacto daquilo que buscam. No caso de quem persiste no pecado, chegará o dia em que Deus o deixará sofrer ao máximo as consequências de seus atos. No capítulo 1 de Romanos (nos versículos 24, 26 e 28), por três vezes, Paulo repete a frase: “Deus os entregou [ou abandonou]”. Certo pastor e escritor fez este comentário: “Deus nos obriga a colher o que insistimos em semear”. Quando as pessoas estão decididas a levar uma vida suja, Deus pode permitir que sofram a miséria e a angústia resultantes desse modo de viver, na esperança de que a dura realidade as faça se voltarem a ele.
Outra consequência que o indivíduo pode enfrentar quando tiver de prestar contas a Deus é a morte. Esta pode ser espiritual ou física. A morte espiritual é experimentada por aqueles que se negam a abandonar sua maneira de viver e rejeitam a oferta de salvação feita por Deus por meio de Jesus Cristo. Vemos isso em Romanos 1:21. “Tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu.” Essa rejeição deliberada levará a uma separação eterna entre o ser humano e o Salvador, e essa é a essência da morte espiritual. Contudo, também existe a possibilidade da morte física.
As consequências da morte, tanto física como espiritual, são drásticas e podem ser a última ação no plano de Deus. Todavia, é necessário que entendamos que, se ele chegar a esse ponto, suas ações estarão totalmente justificadas. O texto de Romanos 1:32 diz: “São dignos de morte os que tais coisas praticam”. Que coisas são essas? Os pecados enumerados nos versículos anteriores. Deus não é injusto caso venha a tratar dessa maneira rebeldes empedernidos — os atos depravados deles o autorizam.
Conclusão
A pornografia é um veneno mortal a respeito do qual todos devemos estar conscientes. Mas não basta apenas colocar a etiqueta apropriada sobre ela. Com a ajuda de Deus, podemos deixar marcas em nossa vida e na vida de outras pessoas à medida que acatarmos o mandamento de Jesus de sermos sal e luz e obedecermos a ele na comunidade em que vivemos.
“Não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento.” Romanos 12:2
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Selecionado e resumido para The Christian Family
- Homens adultos que se relacionam sexualmente com crianças ou adolescentes do sexo masculino.